
O 11º ano de casamento completado no 1º de maio. O dia deste. O início.
O número 11 é o da sorte.
Começou na pré escola quando a irmã Alice, minha professora, disse que ia ter um sorteio, acho eu. Não me lembro muito bem.
O que me lembro fortemente é que na hora do recreio, ia de um lado para o outro, pensando, concentrando, as marias-chiquinhas acompanhavam meus passos, os olhos fechavam com toda a força, eu queria muito.
Eu queria muito ganhar aquele lindo elefante cor de rosa inflável.
Era um sonho. Eu tinha que ganhar. Eu queria muito ganhar.
Na minha mão fechada, com muita força, aquele pedaço de papel quase se desfaz, mas está lá o número que me traria a alegria esfusiante e inebriante.
Quando a irmã Alice disse o número 11 a minha lembrança corta, pula para a cena de vencedora.
O elefante cor de rosa inflável em minhas mãos. Quase maior que eu, tinha que abracar até juntar as 2 mãos para conseguir segurá-lo.
E chegou a hora, o sinal toca e todas as crianças saem de suas cadeiras, formam a fila para irem para o portão encontrar as mães. Esse trajeto estará sempre gravado em detalhes na minha memória. Foi a glória...
Como sempre fui uma aluna alta, meu lugar na fila sempre foi o penúltimo ou ante-penúltimo. Eu nunca era a primeira, mal saia nas fotos, ficava mais tempo na escola, e etc.
Mas naquele dia, eu fui orgulhosa, com postura reta, ereta, alta, com as chiquinhas balançando....no primeiro lugar da fila.
De um lado, agarrava o meu maravilhoso prêmio, quase do meu tamanho, o elefante cor de rosa inflável.
E do outro lado, dava a mão para a irmã Alice, talvez tenha sido a primeira e a única vez...
Aqueles 2 minutos até o portão, na verdade foram duas horas para mim.
E quando chegamos foi o êxtase, todas as mães olhavam para mim e para o MEU elefante cor de rosa inflável.
Aquele dia era eu, eu era para todos aquele dia.
Desde desse dia o número 11 tornou-se meu número da sorte.

